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De olhos no futuro: o sonho jornalístico de Luiz Eduardo


Por: Gabriel de Paulo e Isabelly Braga

Luiz Eduardo tirou dúvidas dos estudantes (Foto: Gabriel Miranda)

Na quinta-feira do dia 28/11, o Jornalismo em Campus teve a oportunidade de entrevistar Luiz Eduardo, um jovem de 17 anos, estudante do terceiro ano do ensino médio e deficiente visual, que sonha em cursar Jornalismo. Durante uma roda de debate organizada em sala de aula, Luiz, acompanhado por sua mãe, Janaina, apresentou suas experiências, desafios e motivações para seguir uma carreira que, segundo ele, combina sua paixão pela comunicação e o desejo de dar voz às pessoas com deficiência .

Luiz revelou que seu interesse pelo jornalismo surgiu a partir de sua admiração por programas de rádio e televisão, especialmente pela forma dinâmica com que apresentadores conduzem longas coberturas. "Sempre gostei de falar em público, falar com as pessoas. Vi como os apresentadores, principalmente jornalistas antigos, conduziam. “Fiquei muito feliz vendo isso, comecei a querer imitá-los", contou.

Ao ser questionado sobre suas expectativas em relação ao mercado de trabalho, Luiz se mostrou atento às mudanças provocadas pelo avanço do webjornalismo. Ele acredita que a migração de conteúdos para a internet pode oferecer maior liberdade de expressão aos profissionais, mas alerta para os perigos da formação de “bolhas” ideológicas.

Luiz também trouxe uma visão crítica sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Apesar do aumento nas contratações impulsionadas por políticas de cotas, ele destacou que muitas empresas ainda não promovem uma verdadeira inclusão. “Tem empresas que só contratam para cumprir a cota. Uma pessoa com deficiência não vai ser útil para a empresa quando chegar lá, porque a empresa não quer incluir a pessoa”, afirmou.

Luiz também relatou episódios de preconceito que ocorreram no cotidiano. Um exemplo marcante foi quando, ao usar o celular dentro de um ônibus, ouviu uma senhora comentar com sua mãe: “Nossa, ele é bem educado, bem inteligente”. Para Luiz, comentários assim refletem o capacitismo presente na sociedade, que muitas vezes romantiza ou subestima pessoas com deficiência.


A mãe, Janaína, aprofundou o debate ao contar curiosidades sobre o filho (Foto: Gabriel Miranda)

Sobre o papel do Jornalismo na luta pelos direitos das pessoas com deficiência, Luiz defende a conscientização como principal ferramenta. Ele acredita que a abordagem deve estar na realidade enfrentada por essas pessoas, sem apelar para o “coitadismo”. "Não mostrar o deficiente como 'coitadinho', mas mostrar que existe uma realidade difícil de ser enfrentada, como conseguir emprego durante períodos de crise econômica. Mostrar que esses problemas existem, mas não com pena", enfatizou.

Luiz Eduardo admira jornalistas como Augusto Nunes e sonha em trabalhar em rádio ou televisão, sempre valorizando a liberdade editorial. Ele também expressou seu interesse por produções em áudio e artigos opinativos, áreas em que acredita poder explorar sua paixão por reportagens.

Ao final da conversa, Luiz deixou uma mensagem inspiradora para outras pessoas com deficiência: “Que não desistam dos sonhos de vocês, pois essa situação de preconceito vai continuar por muito tempo”.

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